Minha história

Olaf Quist · 18 min de leitura · Julho 2026

Olá. Meu nome é Olaf Quist e moro em Kampen, nos Países Baixos. Não sou nutricionista, não sou treinador pessoal e não tenho formação em bem-estar. Sou apenas alguém que passou muitos anos correndo atrás de prazos, reuniões e viagens de trabalho, até perceber que a vida estava passando sem que eu realmente a sentisse.

Cresci em uma pequena cidade perto de Amsterdã. Meus pais tinham uma padaria pequena, e eu passava as tardes ajudando a arrumar prateleiras ou aprendendo a fazer pão simples. Naquela época, as coisas pareciam mais lentas. O cheiro do pão fresco pela manhã, o barulho da rua quando abria as janelas. Não pensava muito nisso — era só a vida.

Depois da universidade, entrei no setor de logística. Trabalhei em empresas grandes, com horários longos, voos frequentes e e-mails que não paravam. Acordava cedo, dormia tarde e, no meio disso, tentava encaixar uma vida social que parecia cada vez mais superficial. Comia o que aparecia, corria de um compromisso para outro e achava que estava “progredindo”. Na verdade, estava só ocupando o tempo.

O momento em que algo mudou

Em 2019, fiz uma viagem curta para o norte de Portugal. Foi uma pausa que eu nem sabia que precisava. Aluguei uma casa pequena perto de uma vila, sem internet boa, sem agenda lotada. Acordava com o som dos pássaros, fazia café na cozinha simples e saía para caminhar sem destino. Comia pão local com azeite, queijo e tomates que pareciam diferentes dos que eu conhecia. Não era nada especial — era só presente.

Quando voltei para os Países Baixos, tentei trazer um pouco daquela sensação para casa. Não mudei tudo de uma vez. Comecei pequeno: deixei de comprar pão industrial e passei a fazer uma versão simples no fim de semana. Parei de checar o telefone logo ao acordar. Comecei a caminhar 20 minutos depois do almoço, mesmo quando o tempo estava cinza.

Não foi uma transformação dramática. Foi mais como ajustar o volume da vida. Percebi que não precisava de grandes planos ou metas ambiciosas. Bastava repetir gestos pequenos que faziam sentido para mim. Cozinhar uma refeição com vegetais que estavam na geladeira. Respirar fundo antes de responder um e-mail difícil. Deixar a noite terminar sem tela brilhando.

O que aprendi com o tempo

Com os anos, entendi que o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. O que funciona para mim hoje pode mudar daqui a seis meses. Por isso não dou conselhos universais. Escrevo sobre o que experimentei, o que ajustei e o que ainda continuo testando.

Por exemplo, a ideia de incorporar mais vegetais não veio de um livro ou de um especialista. Veio de perceber que, quando eu preparava uma salada rápida com o que tinha em casa, a refeição ficava mais interessante e eu me sentia mais satisfeito depois. Não era sobre “comer melhor”. Era sobre ter mais variedade no prato sem complicar a vida.

O mesmo vale para os movimentos. Não sou fã de academias lotadas. Prefiro sequências curtas que posso fazer entre reuniões ou enquanto espero a água ferver. São gestos que não exigem mudança de roupa ou equipamento especial. Apenas o corpo se movendo um pouco mais do que o habitual.

Por que escrevo aqui

Em 2023, comecei a anotar essas pequenas descobertas em um caderno. Depois, quando uma amiga perguntou se eu poderia compartilhar algumas ideias, resolvi colocar online. A Quilina nasceu assim: um espaço onde falo de forma direta sobre o que funciona (ou não) na minha rotina. Sem promessas grandiosas, sem julgamentos.

Não tenho uma equipe, não vendo nada e não pretendo transformar isso em um negócio. É só um lugar onde registro o que aprendo vivendo. Se algo aqui ressoar com você, ótimo. Se não, tudo bem também. A vida é longa demais para seguir ideias que não fazem sentido para nós.

Hoje, divido meu tempo entre o trabalho que ainda faço em logística (em ritmo mais calmo) e esses momentos de escrita. Gosto de cozinhar para amigos, de caminhar pela cidade velha de Kampen e de experimentar novas combinações na cozinha. Às vezes viajo de volta a Portugal, não para “fugir”, mas para lembrar como as coisas simples podem ser suficientes.

Se quiser conversar sobre qualquer coisa que leu aqui, pode escrever. Respondo quando posso. Obrigado por ler até aqui.

— Olaf Quist
Kampen, Países Baixos · Julho 2026